Floriano Peixoto: a transformação da primeira avenida de Botucatu

Tem forte presença e variedade de empresas: são mais de 140 empreendimentos

por Flávio Fogueral

Algumas ruas e avenidas sintetizam a História de uma cidade, sendo o resgate de sua identidade de desenvolvimento e unindo ainda as oportunidades de investimentos nos dias atuais. Em Botucatu, algumas regiões simplesmente são a soma dessa tradição e oportunidades.

Primeira avenida de Botucatu, a Avenida Floriano Peixoto representa mais do que uma ligação entre o Centro comercial de Botucatu (Ruas Curuzu e Amando de Barros), com a Vila dos Lavradores- o “Bairro” e também com a Vital Brazil. Tem forte presença e variedade de empresas: são mais de 140 empreendimentos até dezembro de 2018, conforme registro da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico. Com pouco mais de um quilômetro de extensão, agrega desde postos de combustíveis, autopeças, lojas de móveis e decoração, restaurantes, assistência técnica em eletrônicos, supermercados, lojas de departamento, entre muitas outras empresas que representam as mais relevantes características do desenvolvimento botucatuense.

Confira imagens históricas da Floriano Peixoto

 

A origem da avenida remonta ainda ao século XIX, em uma Botucatu vivendo seu primeiro ciclo de expansão. Tem sua construção como consequência direta do estabelecimento da ferrovia no município, mais precisamente com a instalação da Estação Ferroviária, ainda em 1889, pela empresa Estrada de Ferro Sorocabana. Consta no livro “Ruas de Botucatu”, de João Thomaz de Almeida, que antes da via existia apenas uma estrada que ligava o Largo da Matriz (hoje na atual região da Praça do Paratodos) a São Manuel. Era chamada de “Rua da Estação”. A instalação da ferrovia fez crescer o potencial econômico e a relevância do município. Com isso, a administração municipal da época sentiu a necessidade de se criar uma via mais estruturada que escoasse a produção agrária e ligasse a até então longínqua estação à cidade.

Isso fez com que o Poder Público, já em 1890, iniciou-se um projeto para uma avenida. Com isso, ocorreria gradativamente a desapropriação de áreas particulares e a contratação de serviços para o nivelamento da região. A denominação da nomenclatura “Avenida Marechal Floriano Peixoto”, ocorreu em 1894. As Lei nº 17 e 22, promulgadas em janeiro e junho de 1895, trataram da desapropriação de terrenos e prédios existentes para que a construção efetivamente ocorresse. Os trabalhos de nivelamento e calçamento terminaram em 1898. Já o calçamento da avenida foi promovido em 1919, com paralelepípedos de granito.

Com o novo século, a avenida Floriano Peixoto tornou-se crucial para o crescimento de Botucatu. Ligando a região Central e comercial à Estação Ferroviária e ao novo bairro que surgia (Vila dos Lavradores) e consequentemente sendo via de passagem para outros municípios como São Manuel, Lençóis Paulista e Bauru. Surgiram, no entorno, empresas históricas como as Indústrias Milanesi, Blasi e Bachi, que fabricaram desde maquinários para o beneficiamento de café, utilidades agropecuários e gêneros alimentícios. Por anos, a avenida foi sede do conglomerado de Petrarca Bachi, considerado o maior expoente do primeiro ciclo industrial de Botucatu. Para se ter uma ideia da importância desta via na economia local, o livro Botucatu Antigamente, de Trajano Pupo, mostra que em 1918 o município possuía 156 empresas entre comércio e indústria. A Floriano Peixoto concentrava 23 desse total, atrás apenas da Rua Riachuelo (atual Amando de Barros) e o mesmo de toda a Vila dos Lavradores.

Floriano Peixoto recebe mais de 10 mil veículos ao dia e liga a Região Norte ao Centro de Botucatu

Devido à ferrovia, hotéis, restaurantes, bares e até consultórios médicos e escritórios diversos foram instalados na região. Todo esse apogeu mostrou a força desenvolvimentista que o município viveu ainda no início do século XX. O passar das décadas e a diversificação da economia e dos negócios, outras regiões começaram a despontar com atrativos para se investir. A Floriano Peixoto, no entanto, não deixaria de ser referência para os botucatuenses.

Arquitetura preservada que se mescla com o moderno

A Floriano Peixoto tem uma história crucial com o desenvolvimento da Cidade. Atravessar a avenida também é resgatar um pouco da memória arquitetônica botucatuense. Casarões ainda se mantêm presentes com restaurações e ficando de lado a lado com novos prédios. Alguns chamam a atenção pela riqueza de detalhes, com estilos clássicos e que auxiliam a compreender toda a pujança econômica.

Prédio dos Correios preserva a data da construção, uma hospedaria de 1898

No entanto, um dos locais que mais chama a atenção para quem circula pela avenida é um casarão, construído na confluência com a Rua João Passos. O prédio foi projetado pelo arquiteto italiano Adolfo Dinucci, na década de 1940, servindo como residência do mesmo. Durante décadas, a imponência e traços arquitetônicos únicos chamaram a atenção. Com o passar dos anos, a residência sofreu com a degradação do tempo e teve parte de suas instalações usadas para abrigar comércio.

Em 2017, o imóvel passou por uma série de reformas que objetivava a restauração do espaço. Com isso, a expectativa era que as características se aproximam do projeto original, criado pelo na década de 1940, e onde viria a residir posteriormente. O ‘casarão’ possui 836,34 m² e um total de 6 andares contando com a garagem e o solário.

Outro espaço que se tornou atrativo é a Praça Anita Garibaldi que, por anos, foi alvo de degradação. Revitalizada em 2015, o local é uma das principais áreas verdes da região. As obras promovidas pela Prefeitura tiveram investimento de R$ 39.167,74 e consistiram na mudança paisagística, de passeio e segurança. Também foram recuperados os abrigos de transporte público, além de um novo alinhamento do traçado, facilitando o trânsito na confluência com a Rua Tiradentes.

Floriano Peixoto também mescla o novo com o clássico com casarões e sobrados restaurados

Floriano Peixoto também mescla o novo com o clássico com casarões e sobrados resturados

Avenida homenageia segundo presidente da República

A primeira avenida de Botucatu surgiu em um momento de transição política no Brasil. Com a Proclamação da República, em 1889. Por isso, o então vereador Caetano Caldeira sugeriu o nome do militar que se tornaria o segundo presidente da era republicana: Floriano Vieira Peixoto.

O homenageado nasceu em 30 de abril de 1839 na cidade de Ipoca, em Alagoas, servindo em diversos batalhões pelo país. Ainda no segundo reinado foi nomeado, por Dom Pedro II, como presidente- o equivalente a governador- da província de Mato Grosso, cargo que exerceu entre 1884 e 1885. Com a instituição do novo regime de governo, tornou-se primeiramente ministro da Guerra (1890-1891) e posteriormente, vice-presidente do marechal Deodoro da Fonseca (em 1891). Assumiu a presidência 23 de novembro de 1891, com a renúncia de Deodoro, permanecendo no cargo até 1894. Recebeu a alcunha de “Marechal de Ferro” e “Consolidador da República”, devido às ações enérgicas na supressão de revoltas, em especial a Revolução Federalista, em Desterro (Florianópolis) e na Segunda Revolta da Armada.

Floriano Peixoto era casado com Josina Peixoto, com quem teve oito filhos. Faleceu a 29 de junho de 1895, no município de Barra Mansa, no Rio de Janeiro, aos 56 anos.