O castelo de vidro

Como é possível (se é possível) viver de maneira mentalmente saudável à margem do sistema

Por Oscar D’Ambrosio*

Apresentar modos alternativos de existir é o tema central do filme “O Castelo de Vidro” (“The Glass Castle”), baseado no livro homônimo da jornalista Jeanette Walls, lançado em 2005. Os principais destaques da obra estão no entendimento de como é possível (se é possível) viver de maneira mentalmente saudável à margem do sistema.

A protagonista, interpretada quando adulta pela competente Brie Larson, conta como se tornou uma profissional de sucesso a partir de uma relação familiar pouco convencional, liderada pelo pai, libertário, mas alcoólatra, e a mãe, uma pintora sem expressão que se devotava à imortalidade da arte em detrimento da segurança cotidiana das crianças.

O diretor Destin Daniel Cretton tem na mão um rico material, pois a família tem bons momentos apesar de ir se desestruturando ao longo do tempo. Daí a metáfora que intitula o livro e o filme, uma utópica casa que passou por numerosos planejamentos e nunca foi construída.

Os atores Woody Harrelson e Naomi Watts interpretam os pais que se posicionam contra o mundo das finanças de Nova York e contra qualquer espécie de consumismo. Em nome disso, invadem apartamentos abandonados para ter onde morar e se opõem à educação formal. O exagero na opção traz consequências psicológicas para as crianças. E verificar como isso afeta suas trajetórias pessoais e profissionais valoriza o filme como um campo de discussão sobre o ser/parecer na sociedade contemporânea.

* Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.