Para entender o fanatismo

O filme é essencial para quem gosta de entender a psicologia humana e ações coletivas

Por Oscar D’Ambrosio*

A mente de Charles Manson (1934 – 2017) é um dos grandes desafios de quem estuda as motivações de grupos para cometerem atrocidades. Afinal, o que o levou a montar um culto, em meados de 1967, conhecido como “Manson Family”, comunidade baseada na Califórnia que teve seu ápice grotesco com nove assassinatos em quatro localidades em 1969?

Motivações racistas estão entre as explicações, mas é evidente que muito mais do que isso resultou no crescimento do movimento. O filme “Charlie Says”, dirigido por Mary Harron e com Matt Smith no papel do líder, adota uma perspectiva diferente, focando três das seguidoras da seita encarceradas numa prisão americana.

A obra se fundamenta em dois livros (“The Family”, de Ed Sanders; e “The Long Prison Journey of Leslie Van Houten”, de Karlene Faith). Karlene foi uma professora na prisão que teve um intenso diálogo com Susan Atkins, Patricia Krenwinkel e Leslie Van Houten no sentido de elas perceberem o que haviam feito e em nome de que ideias e ideais.

O filme é essencial para quem gosta de entender a psicologia humana e ações coletivas que envolvem o fanatismo, principalmente quando movimentos grupais deixam de aceitar argumentos contrários às suas motivações e se movem cegamente. Nesse aspecto, o título é muito feliz porque a frase “Charlie Says” tudo justificava, inclusive violências e mortes.

Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.

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