Arte em tempo de coronavírus

O artista, acima de tudo, precisa estar comprometido com aquilo que apresenta e deve se orgulhar das obras que mostra

Por Oscar D’Ambrosio*

Muitos se perguntam se a arte pode ou deve adotar um viés de engajamento político ou ser crítica em relação às instituições e a um determinado momento histórico. Trazer reflexão para um momento que se está passando parece sempre louvável, desde que não se perca a qualidade daquilo que se está fazendo.

O artista, acima de tudo, precisa estar comprometido com aquilo que apresenta e deve se orgulhar das obras que mostra. Nesse sentido, Melhado apresenta uma obra que é uma síntese histórica do atual estágio nacional da pandemia. O trabalho tem diversos pontos de destaque, como a presença da figura da morte segurando um coronavírus na mão.

Os microrganismos também estão colocados como balões nas mãos da figura com a faixa residencial e cartola com as cores da bandeira dos EUA – e ainda se fazem presentes no céu, nas nuvens, observando tudo de binóculos. Esse tom de ironia permeia todo a pintura, inclusive os seres que estão na calçada, seja na forma de esqueletos ou com camisas do Brasil.

O conjunto merece destaque por mostrar as diversas forças envolvidas na crise da saúde e da política nacional. Temos a presença de igrejas, hotéis e bares fechados, assim como aves negras voando e nuvens sombrias. Mas o céu azul indica uma esperança? Qual é o amanhã que espera a todos nós? Essa uma das perguntas que cabe à arte com talento prospectar…

Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Coordena o projeto @arteemtempodecoronavirus e é responsável pelo site www.oscardambrosio.com.br