A crise dos 30 anos

Boas perguntas, portanto, não faltam

Por Oscar D’Ambrosio*

Existe uma crise dos 30 anos? Se a resposta for positiva, o filme espanhol “Los amores cobardes”, dirigido por Carmen Blanco, é uma excelente introdução. A história tem como eixo central a trajetória de uma jovem dessa faixa etária que decide passar as suas férias de verão com a mãe em sua cidade natal.

É nesse momento que surgem todas as fragilidades da geração. Começa pelo emprego, pois ela não consegue de fato se desligar das atividades, com a chefe pedindo constantemente novos trabalhos e irritando-se quando percebe que a funcionária gostaria de estar descansando e não continuando a realizar projetos.

A relação com a mãe também é motivo de discussão, pois, por um lado, existe, é claro, o amor, mas a superproteção materna incomoda. É travada aí uma relação difícil entre o desejo de independência e o de ser cuidada. Essa ambivalência entre a força e a fragilidade se mantém constante na narrativa – e a protagonista busca algum tipo de equilíbrio.

E há ainda os laços amorosos. A jovem reencontra o amor de adolescência que simplesmente a abandonou sem deixar explicações. Daí vem o título do filme, pois manter um relacionamento sólido e estável demanda a coragem que talvez boa parte dos que tem 30 anos não tenha. Boas perguntas, portanto, não faltam. Achar boas respostas? Isso já é outra história…

Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Coordena o projeto @arteemtempodecoronavirus e é responsável pelo site www.oscardambrosio.com.br