Em Botucatu, Covid-19 infectou mais mulheres e pessoas entre 30 e 39 anos

Óbitos também são mais prevalentes em mulheres

Por Flávio Fogueral

Até segunda-feira, 6 de julho, Botucatu contabilizava  731 casos positivos de Covid-19, doença aguda causada pelo novo coronavírus, desde o início da pandemia, segundo dados oficiais do governo do Estado. Desse total, 70% (507) das pessoas infectadas se recuperaram e dezoito (2,4%) vieram a óbito.

No entanto, o novo coronavírus infectou mais mulheres e adultos entre 30 e 39 anos. Os óbitos também atingiram mais o sexo feminino e botucatuenses de 80 a 89 anos. Este é o panorama da doença de seu início, em março, até o domingo, 5 de julho. A análise consta em informações públicas da Secretaria de Estado da Saúde com base em dados fornecidos pela Secretaria Municipal de Saúde, Centro de Vigilância Epidemiológica e Coordenadoria de Controle de Doenças.

Segundo o balanço oficial do governo do Estado, entre os 731 botucatuenses infectados pela covid-19, 403 mulheres (55%) foram atingidas pela doença, enquanto que 328 (45%) eram do sexo masculino. A doença também se mostra prevalente em adultos e jovens. O contágio ocorreu mais em pessoas de 30 a 39 anos (24,9% ou 182 pessoas), seguido por botucatuenses de 20 a 29 anos (17,5% ou 127 pessoas) e de 40 a 49 anos (17,4% ou 124 pessoas).

Principal grupo classificado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para o contágio do novo coronavírus, pessoas acima de 50 anos apresentam taxas de infecção que variam de 0,7% (5 pessoas de 90 anos ou mais), 3,1% (22 pessoas entre 80 e 89 anos), 3,7% (27 botucatuenses de 70 a 79 anos), 6,5% (48 pessoas de 60 a 69 anos) e 13% na faixa etária de 50 a 59 anos, equivalendo a 100 infectados.

Casos positivos de covid-19, de infectados e taxa de letalidade em Botucatu. Fonte: Fundação Seade

 

A covid-19 também afetou grupos que potencialmente não são classificados como mais propensos. No balanço do governo do Estado, 36 crianças até 10 anos (5,7% do total) foram infectadas com o vírus SARS-Cov2. Já 51 adolescentes entre 11 e 19 anos (7%) também apontaram positivos para o novo coronavírus.

O balanço do governo estadual aponta que 54 botucatuenses infectados apresentavam algum tipo de doenças preexistentes em seu quadro clínico, sendo a diabetes a mais prevalente (3,4%), seguida por cardiopatias (2,5%) e doenças neurológicas (1%).

Óbitos também são mais prevalentes em mulheres

Quanto aos casos de mortes decorrentes do novo coronavírus, as vítimas mais prevalentes foram mulheres, com 60% dos casos (oito óbitos). Os dados do governo estadual ainda constavam que Botucatu teve quinze vítimas fatais. Dessa vez, as principais vítimas estavam na faixa etária de 80 a 89 anos (33%), seguida por botucatuenses de 70 a 79 anos (26,4%), 60 a 69 anos (13,3%), 40 a 49 anos (13,3%), 50 a 59 anos (6,7%) e 90 anos ou mais (6,7%).

Do total de óbitos registrados em Botucatu por causa da covid-19, 86,7% (13 mortes) tinham relação com doenças preexistentes. 40% das vítimas foram identificadas como portando doenças neurológicas, seguida por diabetes e cardiopatia (ambas com 26,7%), além de asma e pneumopatia (6,7% cada uma).

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Doenças preexistentes e seus impactos em casos confirmados, de óbitos e nas taxas de letalidade da covid-19 em Botucatu. Fonte: Fundação Seade

Covid-19 possui letalidade maior em mulheres, idosos e pessoas com doenças neurológicas 

Outro aspecto da doença em Botucatu é quanto a taxa de letalidade, que consiste na proporção entre o número de mortes e o total de pessoas que sofrem da doença em um determinado período de tempo. Segundo o governo estadual, este índice está em 2%. Mas este percentual é maior no gênero feminino (2,2%) do que o masculino (1,8%).

Já por faixa etária, a letalidade é mais presente em botucatuenses acima de 80 a 89 anos (21,7%), 90 anos ou mais (20%), 70 a 79 anos (14,8%), 60 a 69 anos (4%), 40 a 49 anos (1,5%) e 50 a 59 anos (1%).

Quando se analisa a presença de doenças preexistentes em índice de letalidade, as mortes estão mais relacionadas a doenças neurológicas (85,7%), seguidas por pneumopatia (50%), asma (33%), cardiopatia (22%) e diabetes (16%).

 

 

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