10 anos da autarquização do HCFMB – Hospital com sonhos

É preciso trabalhar, planejar, insistir, executar e de novo trabalhar sempre

Por André Luis Balbi*

Quis o destino que, em plena pandemia, nosso HC completasse 10 anos de sua autarquização. Esta data aconteceu na última semana e foi marcada por uma cerimônia simples, transmitida pela internet a partir do NEAD da FMB. Estive presente juntamente com o Prof. José Carlos (representando o HC), Profª Kika (FMB) e Prof. Rugolo (Famesp). Prof. Emilio, convidado, não pode comparecer.  Após as falas iniciais, o Prof. Pasqual fez uma breve apresentação sobre a história deste fato. Fato que nos leva a um tempo para uma reflexão sobre o que foram estes últimos 10 anos para o nosso hospital. Refletir sobre o que vimos acontecer e qual será o destino do HCFMB.

A autarquização oficial do HC ocorreu através da Lei Complementar 1124 de 01/07/2010, que transferiu nosso hospital da FMB/Unesp para a Secretaria Estadual da Saúde (SES), transformando-o em uma Autarquia do Estado. Foi o ponto final de uma história marcada pela persistência de nossos gestores durante muitos anos. E foi também o ponto inicial de uma nova forma de gestão. Coincidentemente, na comemoração simbólica que realizamos no NEAD, estavam presentes 3 dos 4 últimos Superintendentes do HC, todos envolvidos diretamente neste processo.

André Luís Balbi é superintendente do Hospital das Clínicas de Botucatu

Após um início difícil, onde víamos o orçamento para custeio do HC diminuir progressivamente pela Unesp e não aumentar proporcionalmente pela SES, resultando em períodos de falta de materiais básicos, fomos evoluindo de modo progressivo. E, de modo progressivo vieram o Hospital Estadual, o SARAD e a parceria com a prefeitura de Botucatu que nos trouxe os Pronto Socorros Infantil e Adulto.

Quando o Prof. Emilio deixou a superintendência do HC, levou com ele, simbolicamente, a história inicial da autarquização planejada pelo Prof. Pasqual, construída pelo Prof. Rugolo e implementada por ele, sempre com o auxílio decisivo do então Secretário de Saúde, Dr. Barradas, precocemente falecido durante este processo, e do Prof. Sergio Muller, vice e posteriormente diretor da FMB.

Em minha gestão à frente do HCFMB procurei, desde o início, organizar o hospital que, como toda criança que cresce rapidamente, cresce com imperfeições que precisam ser corrigidas.

Nos últimos anos ainda sofremos com a grande dificuldade para obtenção de recursos para contratações de servidores pela SES, negada desde 2015, o que nos faz cada vez mais dependentes da Famesp, o que é preocupante. Mas vimos nascer o novo Prédio dos Ambulatórios, a Enfermaria de Cuidados Paliativos, a nova Maternidade que recentemente realizou seu milésimo parto, o Time de Resposta Rápida que reduziu nossa taxa de mortalidade, a Unidade de AVC tornou-se referência nacional, o Programa de Transplante Cardíaco que veio somar-se aos já  existentes programas de Transplante Renal, Hepático, de Córneas e de Medula Óssea, o funcionamento pleno do NIR (Núleo Interno de Regulação), que otimizou nossos leitos e integrou os hospitais menores ao nosso redor, a aquisição de novos e modernos equipamentos e, principalmente, nosso crescimento assistencial humanizado associado ao ensino e pesquisa.

Não por acaso fomos destaque, no ano de 2019, junto ao rigoroso Tribunal de Contas do Estado de São Paulo que, ao divulgar dados hospitalares obtidos por seus dirigentes, nos posicionaram como o terceiro maior hospital  de ensino do Estado, com quase 4 milhões de procedimentos assistenciais realizados e o primeiro na relação pacientes internados por leito, com média de 5 dias de internação, enquanto dados da SES mostram que fomos o hospital de ensino com maior porcentagem de atendimento terciário entre todos os avaliados.

Porém, todos sabem que nossa autarquia tem muito ainda a melhorar. A gestão de qualquer hospital não pode ser de sonhos, muito menos a de nosso HC. Ela tem sim que ter sonhos. Não podemos acreditar em promessas mirabolantes que podem nos levar ao nada. Não há mágica. É preciso trabalhar, planejar, insistir, executar e de novo trabalhar sempre. Nada mais que isto.

*André Luís Balbi é professor da Faculdade de Medicina de Botucatu e superintendente do Hospital das Clínicas de Botucatu.