Volta ao esporte ao ar livre na flexibilização

O objetivo maior é reduzir o risco de infecção e orientar

Por Ana Paula Simões*

Pensando na educação e orientação dos leitores e visando minimizar os riscos de contágio de coronavírus, descrevo algumas dicas e orientações de precaução, sabendo que, em algumas cidades, está autorizada a prática esportiva no ambiente externo como promoção de saúde. Muitos países já estão com liberação e treinos nas ruas.

Por isso, a Associação Internacional de Federações de Atletismo (IAAF) e o Instituto Internacional de Medicina em Corridas (IIRM) se reuniram para criar uma força tarefa formada por médicos e especialistas com objetivo de definir as diretrizes para retorno aos treinos esportivos. Seguindo essa premissa, foi criado um protocolo de segurança para que esses treinos ocorram de forma mais segura possível, seguindo as diretrizes dos órgãos reguladores que previamente autorizaram esse retorno.

Acentua-se neste momento a importância de informar aos atletas que a premissa é manter a quarentena e sair apenas para o treino, respeitando as normas sugeridas abaixo, desde que se sinta confortável, uma vez que serão mantidas as orientações para quem preferir ficar em casa, for do grupo de risco e principalmente aqueles que tiverem sinais e sintomas de Covid-19. Essas pessoas não devem participar dos treinos outdoor mesmo que as autoridades de sua cidade permitam. Nem que testou positivo e esteja em menos de 14 de quarentena.

O objetivo maior é reduzir o risco de infecção e orientar; pois muitos leitores estão em dúvidas. Desta forma passamos a apresentar uma primeira relação de medidas a serem adotadas na fase de retomada dos treinos, quando esta for autorizada:

Para as assessorias:
Limitar o número de participantes em função de parâmetros técnicos para evitar aglomerações;

Aplicar um formulário que aborde diretamente as questões de saúde relacionadas ao coronavírus, como por exemplo: saber se o participante já teve a doença, se tem ou teve contato com pessoas que tiveram a doença, avaliação do estado de saúde, temperatura, sintomas e se está em quarentena;

Verificar a pessoa já teve e já está imune, enviar o comprovante;

Orientar manuseio de água e hidratação com higienização com álcool 70% e utilização de luvas, evitar contato físico e manter distanciamento;

Oferecer kit prevenção com máscara (para quem esqueceu, molhou ou eventualmente danificou a máscara) e álcool em gel 70% nos treinos;

Oferecer treinamento para staff, de forma on-line ou através de vídeos tutoriais, sobre procedimento de atendimento e orientação aos participantes;

Exigir uso obrigatório de máscaras para equipe de trabalho e atletas;

Realizar higienização dos materiais de apoio e sacolas;

Estabelecer que não será autorizado manusear objetos trazidos pelos atletas: o atleta que trouxer mochila por exemplo, guarda e pega a sua em local recomendado pelo staff;

Se houver banheiros químicos, manter higienização constante com aplicação de produtos desinfetantes e disponibilizar pias com água e sabão para lavagem das mãos;

Não montar tendas e ativações que motivem a aproximação de pessoas (como tendas de massagens, área VIP, ativações de patrocinadores etc). Lembre-se que isso é passageiro e precisamos evitar aglomerações;

Não permitir fotos e aproximações que gerem contato físico;

Ter sempre lenço e álcool em gel em todas as áreas comuns;

Disponibilizar lixeiras específicas para descarte de máscaras, lenços de papel e materiais de higienização;

Definir pelotões de largada e separar por perfil os atletas, evitando ultrapassagens, diferenciando por ritmo e distância e garantindo espaço suficiente para que mantenham a distância recomendada;

Reforçar as medidas de distanciamento social durante os treinos;

Se montar postos de hidratação, fazer em esquema “self service”: água servida sobre a mesa, em garrafinhas tampadas, geladas antecipadamente e manuseadas por equipe treinada, evitando que os atletas encostem em outras garrafas;

Orientar que se houver desconforto respiratório, deve-se parar o treino e caminhar. Se persistir, procurar ajuda médica;

Desenvolver um plano de atendimento caso alguém desenvolva os sintomas durante o treino;

Ter um plano para caso um dos participantes passe mal durante ou logo após a corrida.

Para os atletas:
Durante a preleção e aquecimento, deve respeitar obrigatoriamente as determinações de distanciamento entre as pessoas de no mínimo 1,5 m;

Usar máscara, de preferência respirável, de forma educacional e pensando sempre no social como um todo. Nós, atletas, precisamos dar o exemplo;

Não permitir fotos e aproximações que gerem contato físico;

Levar álcool em gel 70% e material de apoio para eventuais desconfortos e necessidade de higienização. E, se possível, uma máscara extra para caso de dano ou umidade excessiva na primeira;

Dar preferência para levar sua própria garrafinha de água ou mochila de hidratação;

Lembrar-se de fazer um retorno progressivo e saber que o uso da máscara pode dificultar um pouco a performance, mas este não é o momento de pensar nisso, e sim na sua saúde.

Dispersão e alongamento final

Todos de máscara, mantendo distanciamento;

Espaço amplo, com placas de orientação e sonorização para agilizar o fluxo e evitar aglomerações;

Evitar aglomerações e estimular o retorno para alimentação e suplementação nutricional em casa;

Não realizar ativações que estimulem a aproximação entre as pessoas;

Voltar para casa assim que acabar o treino ou a prova, para garantir sua saúde e a de todos.

Bons treinos!

Dra. Ana Paula Simões, Médica mestre em ortopedia e traumatologia pela Santa Casa de São Paulo e membro da Sociedade Brasileira de Medicina Esportiva, é professora da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. @DraAnaPSimoes.