O Saci-Pererê

O saci vive 77 anos, quando se transforma nos cogumelos encontrados nos troncos das árvores chamados “orelhas-de-pau”

Por Oscar D’Ambrosio*

O Dia do Folclore é celebrado internacionalmente dia 22/8, dia em que, em 1846, escritor inglês William John Thoms criou a palavra “folklore”. Ela provém de “folk” (povo, popular) e “lore” (cultura, saber). A data celebra, portanto, o “saber tradicional de um povo”. Para celebrar a data, Rosângela Politano nos oferta, em cerâmica, a imagem de um dos nossos personagens folclóricos mais célebres: o saci-pererê. 

Mas quem é ele? Negro e pequeno, habita as florestas e realiza muitas travessuras. Ao que se sabe, a sua lenda surgiu no Sul do Brasil, influenciada pelas culturas africana e indígena, ganhando fama nacional graças a Monteiro Lobato, um dos grandes divulgadores do folclore nacional, ao lado de Câmara Cascudo, Mário de Andrade e Ariano Suassuna, entre outros.

Ser das florestas, como mostra Rosângela, o saci-pererê possui apenas uma perna, com a qual se locomove rapidamente. Não apresenta cabelos e nem pelos corporais, usa um gorro vermelho na cabeça e fuma cachimbo. Pode acontecer que em um jardim existam, por exemplo, vários sacis que realizem suas traquinagens ao mesmo tempo.

O saci vive 77 anos, quando se transforma nos cogumelos encontrados nos troncos das árvores chamados “orelhas-de-pau”. Para capturar um deles, é necessário lançar uma peneira no meio dos redemoinhos que eles provocam para espalhar sujeira. Mas é preciso retirar o gorro de sua cabeça para que perca seus poderes sobrenaturais e aprisiona-lo em uma garrafa para que não fuja. Rosângela Politano faz tudo isso de outro jeito, com a sua arte, permitindo que o contemplemos para sempre.

Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Coordena o projeto @arteemtempodecoronavirus e é responsável pelo site www.oscardambrosio.com.br

Sobre Flavio Fogueral