Professores da Unesp de Botucatu entre os mais influentes na área florestal

Estudo usa citações da base Scopus

Da Redação

Um estudo realizado pela Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, e publicado recentemente pela revista científica Plos Biology, criou um ranking de pesquisadores com artigos de impacto no meio científico. O estudo usa citações da base Scopus e considera apenas pesquisadores com autoria em, no mínimo, cinco artigos, o que totaliza quase 6,9 milhões de cientistas (6.880.389).

Os autores do artigo dividiram a base de dados em duas tabelas: uma considerando o impacto do pesquisador ao longo da sua carreira e outra considerando o impacto do pesquisador apenas no ano de 2019. Dentre os cientistas com mais citações no ano de 2019 estão três docentes vinculados ao Programa de Pós-graduação em Ciência Florestal da Faculdade de Ciências Agronômicas (FCA) da Unesp, câmpus de Botucatu: José Luiz Stape, Clayton Alcarde Alvares e Jean-Paul Laclau.

Para a professora Magali Ribeiro, coordenadora do Programa de Pós-graduação em Ciência  Ciência Florestal é uma honra ter no quadro docente do curso, profissionais que são referência internacional na área florestal. “O fato deles estarem nesta lista é consequência da excelência das pesquisas desenvolvidas, o que gera publicações de alta qualidade e impacto, contribuindo muito para a avaliação do Programa. Consequentemente, também possibilitam uma formação diferenciada para os nossos discentes”.

Trajetórias

Alvares é engenheiro florestal formado pela Esalq/USP, onde também fez seu doutorado em Recursos Naturais, com período sanduíche na North Carolina State University (NCSU), nos Estados Unidos, na qual fez seu pós-doutorado. Atualmente é gerente P&D da área de Metadados e Modelagem Ecológica na Suzano S.A. Desde 2019 é professor e orientador do Programa de Pós-graduação em Ciência Florestal da FCA.

Ele destaca a qualidade das pesquisas feitas em parceria para o bom desempenho no ranking elaborado pela Universidade de Stanford. “Atribuo esse resultado à qualidade das publicações realizadas com excelentes pesquisadores nacionais (Unesp, USP, Universidade Federal de Lavras (UFLA), Instituto de Pesquisas e Estudos Florestais (IPEF), Suzano S.A.) e internacionais (NCSU, Colorado State University (CSU) e USDA Forest Service), que por meio de pesquisas estruturadas em programas cooperativos e grupos de trabalho em projetos especiais resultaram em artigos de elevado interesse e impacto científico”.

Alvares afirma que grande parte das citações foram obtidas no estudo “Köppen’s climate classification map for Brazil”. Neste estudo, ele e os pesquisadores José Luiz Stape (FCA/ Unesp), Paulo César Sentelhas, José Leonardo de Moraes Gonçalves e Gerd Sparovek (Esalq/USP), desenvolveram um sistema de informação geográfica para identificar os tipos climáticos no Brasil com base na temperatura e precipitação mensal de 2.950 estações meteorológicas, fornecidas pelo INMET e outras instituições, assegurando a perfeita reprodução dos critérios do sistema climático de Köppen, o sistema de classificação global dos tipos climáticos mais utilizado em geografia, climatologia e ecologia. O produto final foi um mapa detalhado da classificação climática na resolução de 1 hectare para todo território brasileiro, disponibilizado no site do IPEF (https://www2.ipef.br/geodatabase/).

Também citado no ranking produzido pela Universidade de Stanford, Jose Luiz Stape é  gerente executivo de Tecnologia da Suzano Celulose e Papel e professor de pós-graduação da FCA/Unesp desde 2013. É doutor em Forest Sciences pela Colorado State University (NCSU) e foi professor de Silvicultura na USP, de 1995 a 2008, e da NCSU de 2008 a 2015. Na USP foi coordenador do curso de Engenharia Florestal e coordenador das Estações Experimentais Florestais. Suas principais áreas de atuação são: modelagem ecofisiológica, produtividade, preparo de solo, nutrição florestal, espaçamento, plantações, solos florestais, brotação, produtividade florestal, delineamento sistemático e ervas daninhas.

Stape ressalta os anos de dedicação à pesquisa, ao ensino e à extensão como decisivos para o resultado no ranking. “Durante 25 anos de academia, pudemos orientar diretamente mais de 250 estagiários, um total de 92 TCC de alunos de graduação, 21 Mestrandos, 10 Doutorandos e 3 Pós-Doutorandos. Todos esses trabalhos são relacionados a áreas de Silvicultura ou Ecofisiologia Florestal, sendo esta última inovadora no Brasil, que desenvolvi após fazer meu doutorado via CNPq na Colorado State University entre 1998 e 2002, com o professor Dan Binkley, o autor mais citado na área florestal nesse mesmo ranking. Do ponto de vista da extensão, via programas cooperativos no Brasil e nos Estados Unidos, pudemos atingir diretamente mais de 60 empresas e institutos florestais, e muitos dos quais possuem ex-alunos em seu corpo técnico, dando continuidade às pesquisas nesta área de Modelagem Ecofisiológica, ou aplicando-a diretamente em campo via silvicultura de alta tecnologia”.

Stape recebeu a notícia de sua inclusão no ranking publicado na Plos Biology pelo professor Iraê Guerrini, seu colega na FCA. “Confesso que num primeiro momento você até acha que não é verdade. Mas após verificar o site de Stanford, e ver meu nome lá, ao lado de outros colegas, dá uma sensação verdadeira de “dever cumprido de forma feliz”, pois os alunos, colegas de academia e colegas de empresas com quem trabalhei e trabalho, sempre foram pessoas que me ajudaram a desenvolver e implementar ideias, algumas vezes tidas como “inovadoras demais”. Agradeço muito à Unesp por me propiciar transmitir parte destes conhecimentos às novas gerações”.

Alvares teve reação parecida e também expressou sua satisfação com o reconhecimento. “Fiquei muito surpreso e extremamente feliz. É grande a satisfação de vermos os resultados alcançados de nossos trabalhos e as suas contribuições à ciência nacional e internacional. Isso nos motiva ainda mais a planejar experimentos e estudos de alta qualidade, conectando pessoas e instituições, para entregar resultados conclusivos e promover avanços à academia e à sociedade. Além disso, é extremamente importante continuarmos a formação sólida de novos pesquisadores, envolvendo os alunos de graduação e pós-graduação em todas as etapas da pesquisa, desde a ideação do projeto, delineamento experimental, campanhas de avaliação no campo, análises e críticas, até a redação e a comunicação científica”.

Terceiro docente vinculado ao Programa de Pós-graduação em Ciência Florestal da FCA, o professor Jean-Paul Laclau é engenheiro florestal formado pela “Ecole Nationale D Ingénieurs Des Travaux Des Eaux Et Forêts”, na França. Mestre e doutor em Agronomia pelo Institut National Agronomique de Paris-Grignon (Inapg), atualmente trabalha como pesquisador do Centre de Coopération Internationale En Recherche Agronomique Pour Le Dével (Cirad), na  França, atuando principalmente na área de ciclos biogeoquímicos em florestas tropicais, sustentabilidade e impactos ambientais em florestas plantadas, silvicultura e manejo de plantios florestais.

Segundo ele, o número de citações no ano 2019 não resulta da publicação de um artigo em particular. “É uma consequência das citações de muitos artigos ao longo da carreira de pesquisador. A maioria dessas citações corresponde aos estudos realizados junto com colegas da Unesp e da USP para melhorar a compreensão do funcionamento das árvores e do solo em plantios florestais do Estado de São Paulo”.

Sobre figurar no ranking, Laclau comentou. “Aparecer nesse ranking mostra a qualidade da colaboração entre a Unesp e o Cirad.  Isso será muito útil no futuro, se contribuir para fortalecer as interações entre as duas instituições. O mais importante é contribuir a melhorar o conhecimento nas nossas áreas de atuação”.