Grupo de mulheres divulga repúdio pela forma que a vereadora Rose Ielo foi tratada em rádio

Posicionamento ocorreu após entrevista com a Vereadora Rose Ielo (PDT), na última segunda-feira, 11

Do Leia Notícias

Nesta terça-feira, 12, o Grupo “Unidas na Política”, de Botucatu, que se define como um grupo de mulheres que moram, trabalham e defendem uma sociedade justa e igualitária em Botucatu, divulgou uma carta aberta em repúdio contra o Programa “A Marreta”, da Rádio Municipalista de Botucatu, após entrevista com a Vereadora Rose Ielo (PDT), na última segunda-feira, 11.

De acordo com o Unidas na Política, no dia 9 de janeiro, os apresentadores do Programa A Marreta, Vanderlei dos Santos e Carlos Pessoa, afirmaram, por diversas vezes, que a Vereadora Rose Ielo era a autora de uma série de denúncias contra a Secretaria Municipal de Cultura de Botucatu, denúncia essa que envolveria a Secretária Cris Cury, a publicitária Jamila Cury – prima da Secretária –, e a Pinacoteca. A denúncia foi enviada ao Ministério Público, que até o momento não se pronunciou.

Em seus comentários sobre a denúncia, os apresentadores classificaram como leviana, irresponsável e com outros termos, sempre atribuindo à Vereadora Rose Ielo. Porém, na segunda-feira, 11, a vereadora foi ao Programa da Rádio Municipalista, com direito de resposta, e afirmou que foi acusada indevidamente, pois ela não era a autora da denúncia.

De acordo com o Unidas na Política, mesmo com a negativa de ser a autora, a vereadora teria sofrido com “machismo e imparcialidade do Programa A Marreta”. O que o Grupo Unidas na Política destacou como: “Lamentavelmente, o que presenciamos nesta segunda-feira no ar, foi um show de horrores, com total desrespeito ao direito de resposta e defesa da Vereadora, com ataques, grosserias, interrupções, ironias e suposições, típicas do machismo e da misoginia que tenta calar as mulheres que se sobressaem na política”.

Durante o Programa, os apresentadores Carlos Pessoa e Vanderlei dos Santos afirmaram que disseram que a autora da denúncia havia sido a vereadora Rose Ielo porque receberam essa informação do vereador e Secretário Municipal, André Rogério Barbosa, o Curumim. (assista abaixo o programa)

Leia abaixo a íntegra da carta enviada pelo Unidas na Política para a imprensa de Botucatu:

As mulheres de Botucatu repudiam o machismo e parcialidade do Programa a Marreta

Nós, da União de Mulheres na Política em Botucatu, repudiamos completa e veementemente a maneira como os apresentadores da rádio Municipalista de Botucatu-SP, radialista e advogado VANDERLEI DOS SANTOS e o jornalista CARLOS PESSOA trataram a Vereadora Rose Ielo nos dias 09 e 11 de janeiro de 2021.

Após uma série de prints serem compartilhados via aplicativo de Whatsapp em vários grupos da cidade, cujo conteúdo descrevia uma suposta denúncia protocolada no Ministério Público sobre ações da atual Secretária de Cultura, no sábado (9), durante o programa matinal A Marreta, os apresentadores afirmaram por diversas vezes que a denúncia havia sido impetrada pela Vereadora Rose Ielo, tratando a questão como se fosse uma verdade absoluta.

No programa transmitido ao vivo na rádio e nas redes sociais, o próprio radialista Vanderlei dos Santos afirmou não ter procurado a parlamentar para averiguar os fatos.

Desta forma, passou à população, através do Programa ao Vivo (que depois fica à disposição na página do Facebook da emissora), acusações que “a pessoa responsável pela denúncia no MP” havia sido leviana e irresponsável, atribuindo falsamente à vereadora Rose Ielo esse ato.

Em nenhum momento o jornalista Carlos Pessoa ou o radialista Vanderlei dos Santos conseguiram confirmar com o Ministério Público a veracidade da informação de que a autoria da denúncia era da parlamentar Rose Ielo, deferindo contra ela acusações no programa ao vivo.

Diante disto, uma avalanche de comentários começou a ser direcionados à Vereadora nas redes sociais, mesmo com a mesma negando veementemente a autoria da denúncia.

Isto posto, a Vereadora participou presencialmente do programa matinal da Rádio Municipalista de Botucatu-SP nesta segunda-feira (11) para, explanar com clareza, se posicionar e cobrar dos responsáveis pela notícia falsa explicações sobre as acusações que foram feitas à ela durante todo o programa, sem NENHUMA evidência.

Lamentavelmente, o que presenciamos nesta segunda-feira (11) no ar, foi um show de horrores, com total desrespeito ao direito de resposta e defesa da Vereadora, com ataques, grosserias, interrupções, ironias e suposições, típicas do machismo e da misoginia que tenta calar as mulheres que se sobressaem na política.

Diante de uma denúncia sobre um agente público, e cumprindo seu papel fiscalizatório, a Vereadora foi achincalhada por simplesmente compartilhar a informação de que uma denúncia havia sido entregue no MP, no grupo de Whatsapp dos vereadores(as) de Botucatu com o honesto e compromissado objetivo de tomarem ciência e também cumprir o papel fiscalizatório e outros que lhes cabe.

Importante ressaltar que no sábado (9) o radialista e advogado Vanderlei dos Santos e o jornalista Carlos Pessoa omitiram a informação de que a fonte da Rádio Municipalista havia sido o vereador e assessor do Prefeito, Sr. Curumim.

Omitiram a informação de que o Sr. Curumim havia informado falsamente que a vereadora Rose Ielo era autora da denúncia ao Ministério Público.

Isso só foi dito, como desculpa, no programa desta segunda-feira (11) após insistente debate onde tanto o jornalista quanto o advogado revelaram a fonte da informação, fato que inclusive fere um dos princípios básicos da imprensa, o sigilo da fonte.

De qualquer forma, a responsabilidade de ter divulgado informações inverídicas é apenas do jornalista, que, de forma antiética, não consultou todas as partes envolvidas e citadas antes de desferir inverdades ao público e nem buscou as informações na verdadeira fonte.

Irresponsabilidade ao não respeitar o Capítulo III do Código do Jornalista – Da responsabilidade profissional do jornalista – em seu Artigo 8º diz que “O jornalista é responsável por toda a informação que divulga, desde que seu trabalho não tenha sido alterado por terceiros, caso em que a responsabilidade pela alteração será de seu autor”.

Independente do conteúdo da suposta denúncia, há que se prezar por uma imprensa imparcial, sem vícios ideológicos e/ou pessoais para que possa existir o livre exercício da democracia! Em nenhum momento falou-se sobre o conteúdo da denúncia. O tempo do programa foi usado para atacar, de forma leviana, antiética, desrespeitosa e irresponsável, a Vereadora Rose Ielo.

Em nenhum momento, mesmo com os fatos descobertos, mediante negativa veementemente repetida de Rose Ielo e do desmentido dos demais homens referidos, os apresentadores Vanderlei e Carlos, NÃO SE DESCULPARAM por imputar uma falsa acusação à Vereadora, que possui um histórico de denúncias protocoladas no MP, sempre de forma pessoal, nunca anônima, como ela mesmo explanou várias vezes na entrevista.

Segundo o Capítulo II do Código de Ética – Da conduta profissional do jornalista – o Artigo 3º diz que “O exercício da profissão de jornalista é uma atividade de natureza social, estando sempre subordinado ao presente Código de Ética” e no Artigo 4º aponta que “O compromisso fundamental do jornalista é com a verdade no relato dos fatos, razão pela qual ele deve pautar seu trabalho pela precisa apuração e pela sua correta divulgação” – apuração essa que não ocorreu em toda a fala no Programa, podendo inclusive sofrer denúncia junto ao Conselho de Ética da Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) por não seguir diversos pontos do Código de Ética.

Ainda no Artigo 9º, “A presunção de inocência é um dos fundamentos da atividade jornalística” e não a presunção da culpa, como o jornalista Carlos Pessoa fez no programa desta segunda-feira (11), dizendo que estava no direito dele desconfiar da vereadora Rose Ielo.

Com a repercussão do caso, podemos verificar o quanto denúncias referentes à figuras com sobrenomes políticos conhecidos na cidade de Botucatu geram desconforto em várias instâncias, desejando imputar o medo de retaliação de quem as denuncia, o que mais uma vez, impacta diretamente no exercício da democracia.

Importante lembrar que as áreas de atuação do Ministério Público são Cidadania, Consumidor, Criminal, Direitos Humanos, Infância e Juventude e Urbanismo e Meio Ambiente, cada um com um endereço de e-mail específico para denúncia, visto que os protocolos, por conta da Pandemia, têm sido feitos exclusivamente por e-mail ou preenchimento de formulário na página do MP. Incluímos abaixo, os links para acesso ao site, para aqueles que não compreendem a sistemática de uma denúncia e desejam conhece-la ou até mesmo protocolar uma”.

A Entrevista