ARTIGO | Uma noite de covardia, ganância e traições

Brasília não dormiu, principalmente o atual Presidente da Casa, o Deputado Rodrigo Maia

Por Giovanni Mockus*

A madrugada que antecedeu as eleições para a Presidência da Câmara dos Deputados foi marcada por uma série de traições, improváveis há pouco mais de 12 horas. Dois dos principais partidos que davam sustentação à candidatura do Deputado Baleia Rossi – DEM e PSDB – desembarcaram rumo ao adversário bolsonarista, o Deputado Arthur Lira.

Brasília não dormiu, principalmente o atual Presidente da Casa, o Deputado Rodrigo Maia. Traído pelo seu próprio partido, Maia ameaça com desfiliação da legenda e abertura do processo de impeachment do Presidente Jair Bolsonaro, antes de deixar o cargo.

*Giovanni Mockus * Porta-Voz (Presidente) da REDE Sustentabilidade no Estado de São Paulo

Não por acaso, o Presidente da República, Jair Bolsonaro vem movendo toda a máquina da Esplanada dos Ministérios para garantir que sejam eleitos candidatos alinhados com o Palácio do Planalto. Constitucionalmente, são os presidentes da Câmara e do Senado que organizam a agenda e pautam o que vai ser votado ou não (inclusive um eventual pedido de impeachment).

Essa pressão vinda de Bolsonaro e seus aliados não se limita ao jogo democrático e republicano de alianças. Quanto mais nos aproximamos desse processo eleitoral interno, mais agressivo está ficando o Palácio do Planalto, comprando parlamentares com emendas, perseguindo adversários e negociando cargos. Nada de novo no reino de Brasília, mas é justamente o que Bolsonaro prometeu não fazer: o toma-lá-dá-cá com o Centrão.

O fisiologismo dessa disputa atingiu níveis estratosféricos, vistos na Era Eduardo Cunha. A torneira de recursos públicos foi aberta e partidos que até ontem se colocavam como Centro Democratico, partícipes de uma Frente Ampla pela “democracia, liberdade e independência do Parlamento”, hoje se rendem ao poder do Palácio. Traem a República, de maneira covarde, pela perspectiva de Poder, liberação de verbas e controle de cargos, e, de quebra, fortalecem o bolsonarismo, que já coleciona mais de 220 mil mortos pela pandemia e 64 milhões de brasileiros e brasileiras abaixo da linha da pobreza.

O que está posto não é mais o Poder Legislativo passar a ser subjugado pelo Poder Executivo a partir da provável eleição do candidato de Bolsonaro, mas sim o Brasil voltar a ser comandado pelo Centrão de Arthur Lira e Eduardo Cunha.

O velho Centrão fisiológico, supostamente adormecido desde as eleições de 2018 (que em tese deram um recado de “renovação e esperança” para a política nacional), demonstrou hoje que está acordado, alerta e pronto para voltar a mandar e desmandar no Brasil.

As informações mais recentes apontam que o Ministério da Educação já foi negociado para o Republicanos, e o Ministério da Saúde, para o Progressistas. Saúde e Educação, duas das áreas mais estratégicas para o desenvolvimento de toda Nação, voltam às mãos de indicações políticas e utilizadas para pagar a conta da governabilidade do Planalto.

Os partidos e políticos que assinam seus nomes nessa conspiração contra a República ultrapassam uma linha sem volta, acentuada pelos requintes de crueldade proporcionados pelo governo Bolsonaro. Condenam o nosso país, e isso é imperdoável.

* Porta-Voz (Presidente) da REDE Sustentabilidade no Estado de São Paulo