A Epigenética e o potencial epigenético da Própolis

Hoje que já sabemos que há doenças que se desenvolvem mesmo sem ocorrer uma variação genética

Por Vinícius Nunes Alves*

Muitas pessoas associam uma doença a alguma causa genética ou hereditariedade familiar, mas essa explicação é só uma parte da história. Uma doença é uma característica ou variação que, normalmente, se desenvolve não apenas por influências genéticas, como também ambientais.

A biologia é uma ciência que tem suas exceções, por exemplo, algumas síndromes genéticas raras podem ser causadas pela expressão ou defeito em um único gene com o qual uma pessoa já nasce. Mas essa não é a regra, ainda mais hoje que já sabemos que há doenças que se desenvolvem mesmo sem ocorrer uma variação genética. É isso o que estuda a epigenética, uma ciência emergente que busca compreender como influências externas (por exemplo: hábitos ao longo da vida, tratamentos medicamentosos, etc.) podem alterar a expressão de genes e o desenvolvimento de variações no organismo, sem modificar as letras do DNA.

Relacionado à epigenética, não é difícil conhecer dois irmãos – geneticamente muito semelhantes e que não têm seus genes alterados – mas que passaram por traumas ou hábitos diferentes ao longo da vida. Por exemplo, um pode ter sofrido abuso infantil e ter fumado tabaco, enquanto outro não, e essas diferenças externas/ambientais podem influenciar a expressão de certos genes e até desenvolver certas doenças em apenas um dos irmãos.

Estudos recentes indicam que produtos naturais podem ser uma grande fonte de drogas para a terapia epigenética. Como exemplo de influência epigenética,  temos o uso da própolis – um dos produtos das abelhas – que tem potencial preventivo contra o desenvolvimento de câncer e outras doenças degenerativas.

Em países com tradição de uso de produtos apícolas, como a Romênia, por exemplo,  a própolis pode ser associada ao tratamento antitumoral. Uma célula normal pode sofrer ação epigenética, mas uma célula tumoral também. Assim, a própolis ou alguns de seus constituintes devem ser avaliados em futuras pesquisas visando a obtenção de novas drogas para a terapia epigenética.

Para saber mais:

EPIGENÉTICA: Somos mais que nossos genes! – Terabytes of life (unicamp.br)

Ciência Hoje | Desmistificando a genômica (cienciahoje.org.br)

*Vinícius Nunes Alves é Licenciado e Bacharel em Ciências Biológicas – IBB/UNESP. Mestre em Ecologia e Conservação de Recursos Naturais – UFU. Especialista em Jornalismo Científico – Labjor/UNICAMP .

**Este texto teve colaboração de Henrique Aguiar de Oliveira e José Maurício Sforcin.

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