Aberta a licitação para construção de fábrica de biomedicamentos em Botucatu

Valor estimado da obra é de R$ 13.677.181,45

Da Redação

Foi publicado no Diário Oficial da União (DOU) desta terça-feira (20), o edital de licitação para a construção da Fábrica de Amostras de Medicamentos para Pesquisa Clínica, do Centro de Estudos de Venenos e Animais Peçonhentos (CEVAP) da Unesp, campus Botucatu. O valor estimado da obra é de R$ 13.677.181,45, sendo R$ 11.250.000,00 do Ministério da Saúde e pouco mais de R$ 2 milhões de contrapartida da universidade.

As empresas interessadas em participar do certame deverão entregar a documentação acompanhada da proposta na sede da Reitoria da Unesp, na Capital, até o dia 23 de agosto, data prevista para aberta dos envelopes. O prazo para construção da fábrica é de 24 meses. O projeto foi elaborado pela arquiteta botucatuense Camila Biondo, do Grupo Técnico de Investimento em Obras e Equipamentos da Assessoria de Planejamento e Orçamento, da Unesp/Bauru.

O prédio terá área total de 1.437m2, com quatro alas divididas em dois andares. No pavimento superior, haverá uma ala fabril e outra de controle de qualidade. No inferior, ficarão a administração, laboratórios de pesquisa, centro de Pesquisa e Desenvolvimento do Instituto Vital Brazil e espaço co-working para hospedar startups de biotecnologia.

O professor adjunto da Faculdade de Medicina de Botucatu e coordenador executivo do CEVAP, Rui Seabra Ferreira Júnior, que ao lado do Professor Benedito Barraviera, coordenará o projeto, comemorou a abertura do processo licitatório em suas redes sociais e classificou o dia como histórico. “Será um avanço enorme para as pesquisas produzidas dentro das universidades, bem como ao setor farmacêutico brasileiro, pois poderemos receber encomendas para pesquisa, desenvolvimento e produção de lotes pilotos”.

Inovação

Em recente entrevista à Rádio Unesp FM, Seabra afirmou que o projeto – único no Brasil – nasceu da expertise de pesquisadores da Unesp que desenvolveram produtos considerados estratégicos pelo Sistema Único de Saúde (SUS), como o selante de fibrina e o soro antiapílico, já validados em estudos clínicos de segurança de fase 2. O pesquisador afirma que a nova fábrica vai preencher uma lacuna no desenvolvimento de novos medicamentos, especialmente de origem biológica, como a insulina, o hormônio do crescimento e fatores sanguíneos, entre outros medicamentos recombinantes, os anticorpos monoclonais, as vacinas – especialmente os Insumos Farmacêuticos Ativos (IFAs) -, os soros hiperimunes (antiapílico, antiofídico e antiescorpiônico) e medicamentos para terapias celulares.

O empreendimento promete ajudar as pesquisas a saírem da bancada do laboratório e alcançarem o mercado, superando uma etapa crítica do processo conhecida como “vale da morte”. Embora os cientistas muitas vezes contem com apoio de agências de inovação para se aproximar do setor privado, existe pouco interesse da indústria farmacêutica na produção do fármaco para o passo seguinte dos projetos de pesquisa científica, que é o desenvolvimento do produto e a produção do fármaco para ensaios clínicos.

A ideia é que passem pela “fábrica-escola” alunos de doutorado e pós-doutorandos que desenvolvam seus projetos de pesquisa, registrem os estudos e tenham o interesse de se tornarem microempresários para criarem startups que vão atuar justamente na produção de medicamentos para os ensaios clínicos. As atividades serão iniciadas com empresas de desenvolvimento e fabricação mediante contrato (CDMO), garantindo o desenvolvimento de um medicamento desde sua pré-formulação, produção em escala laboratorial, escalabilidade para produção industrial e condução de ensaios biológicos, pré-clínicos e clínicos.

“Dessa maneira poderemos aceitar contratos de trabalho de qualquer parte do Brasil e do mundo. São poucas estruturas como essa na América Latina, o que irá garantir a sustentabilidade para a universidade e sua capacidade de crescimento para contratação de novos pesquisadores e outros profissionais”, conclui Seabra. (com Jornal da Unesp)