Queijos produzidos em Pardinho e Bofete são premiados internacionalmente

Foram premiados 331 queijos, nos quais 57 eram produzidos no Brasil

Da Redação

Queijos produzidos nas cidades de Pardinho e Bofete foram premiados na quinta edição do Mondial du Fromage 2021, realizado em Tours, na França, entre 12 e 14 de setembro. O evento, uma espécie de “Copa do Mundo dos Queijos”, reuniu cerca de 900 tipos de queijos de 48 países. Foram premiados 331 queijos, nos quais 57 eram produzidos no Brasil (ou seja, 20% do total de prêmios).

Uma empresa de Pardinho, que já havia sido premiada neste mesmo evento em 2019, conquistou desta vez quatro honrarias: duas medalhas de prata com o queijo Cuesta (8 e 10 meses de maturação), um ouro com o Cuestinha e um Super Ouro com o Mandala. Já a queijaria de Bofete, que há dois anos também havia sido premiada com a prata pelo Queijo Sinueiro, agora foi ouro com o queijo Bem Brasil Extra Maturado.

Carolina Vilhena, produtora de Bofete, mostrando o queijo Bem Brasil Extra Maturado; e Vanessa Alcolea comemora os quatro prêmios dos queijos produzidos em Pardinho

Pardinho

Em Pardinho todos os queijos são feitos de leite cru, de vacas criadas livres no pasto, numa fazenda a cerca de 1 mil metros de altitude, e com todas as certificações que garantem a qualidade da produção. Além do cuidado com a alimentação e manejo, o perfil genético do animal é fundamental para que o produto final alcance um sabor único.

“A raça é determinante para o produto final. Cada uma delas produz um leite diferente, com concentração de gordura e proteínas diferentes. Tudo começa na seleção genética, passa pelo o que essas vacas comem, no ambiente que vivem, na qualidade da água, na altitude, no clima. O nosso trabalho é manter as características da região e produzir um queijo de qualidade”, explica Vanessa Alcolea, médica veterinária e gerente técnica da empresa e vice-presidente da Guilde Internationale des Fromagers no Brasil, organizadora do Mondial du Fromage.

O queijo Cuesta, por exemplo, é feito 100% de leite da raça Gir e chegam a ser maturados por até 10 meses em prateleiras de madeira em “caves”, espaços onde a temperatura e umidade são controladas para a cura natural do queijo. Durante sua maturação nas caves o queijo Cuesta entra em contato com um fungo especial, responsável por seu visual característico: uma casca mofada. Os demais queijos são feitos com uma cruza entre as raças Gir e Jersey, ingredientes e maturações distintas.

A queijaria de Pardinho iniciou os primeiros testes com queijo em 2013. Hoje a empresa beneficia cerca de 700 litros de leite por dia, suficiente para produzir quase 80kg de queijo por dia. Também integra o Caminho do Queijo Paulista, projeto que reúne um seleto grupo de queijarias artesanais do Estado.

“Nossa ideia não é ser uma indústria ou aumentar a produção desenfreadamente para atender o mercado. Nossa meta é chegar a 1.500 litros de leite daqui a alguns anos, mas isso continua sendo uma produção muito pequena, bastante artesanal de forma que a gente consegue controlar a qualidade e manter a excelência dos nossos produtos”, complementa Vanessa.

Bofete

Já no caso da fabricante localizada em Bofete, os primeiros queijos (ainda de forma experimental) começaram a ser produzidos em 2017 e comercializados em 2018. Mesmo em pouco tempo, o produto atingiu um alto nível de excelência e que logo foi reconhecido pelos fãs de queijo de São Paulo.

Atualmente, a empresa tem uma equipe bem enxuta mas que produz diariamente cerca de 300 litros de leite (100% de vacas Jersey), que são transformados em 30 kg de queijo. O Bem Brasil, queijo premiado na França, tem a casca mofada, massa lavada, e sofre um processo de delactosagem para diminuir a acidez do produto final e torná-lo ainda mais cremoso.

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